De acordo com o Código Florestal (Lei nº 4.771/65), são consideradas áreas de preservação permanente (APP) aquelas protegidas nos termos da lei, cobertas ou não por vegetação nativa, com as funções ambientais de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade e o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

São áreas de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural que estejam situadas ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto, em faixa marginal cuja largura mínima deverá ser:

  • de 30 metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura;
  • de 50 metros para os cursos d’água que tenham de dez a 50 metros de largura;
  • de cem metros para os cursos d’água que tenham de 50 a 200 metros de largura;
  • de 200 metros para os cursos d’água que tenham de 200 a 600 metros de largura;
  • de 500 metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 metros.

 

Também são consideradas de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural que estejam situadas:

  • ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais;
  • nas nascentes, ainda que intermitentes, e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 metros de largura;
  • no topo de morros, montes, montanhas e serras;
  • nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive;
  • nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;
  • nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais;
  • em altitude superior a 1.800 metros, qualquer que seja a vegetação.

 

O Código Florestal considera ainda de preservação permanente, quando forem assim declaradas por atos do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a:

  • atenuar a erosão das terras;
  • fixar as dunas;
  • formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias;
  • auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares;
  • proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico;
  • asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção;
  • manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas;
  • assegurar condições de bem-estar público.

 

A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida, de acordo com o Código, com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social.

A supressão de vegetação em APP somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública ou de interesse social, devidamente caracterizado e motivado em procedimento administrativo próprio, quando não existir alternativa técnica e de local ao empreendimento proposto.

A reserva legal é definida pela mesma lei como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas.

Conforme o Código Florestal, as florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as que estão em área de preservação permanente, assim como as não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:

  • 80%, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal;
  • 35%, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo 20% na propriedade e 15% na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada no regime de imóveis competente;
  • 20%, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do país; e
  • 20%, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do país.

 

A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento. O Código faz, no entanto, uma ressalva: para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas.

Por tanto, ao deliberar quanto à APP ou reserva legal em seu imóvel, instrua-se através de um advogado com conhecimento em Direito Ambiental, que através das regras específicas oriundas de estudos pertinentes, poderá te oferecer os melhores nortes.

 

Fonte: Senado Federal