A igualdade de gênero é tema bastante atual e sua aplicabilidade nas empresas é matéria que merece muita dedidação.

Não foi por outra razão que agora, em Junho/2016, a ABRH-SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos) realizou a primeira edição do Congresso Nacional de Liderança Feminina, em parceria com a ONU Mulheres.

O evento propôs ações efetivas por mais representatividade feminina dentro das empresas, bem como medidas para barrar a disparidade salarial, a baixa representatividade em cargos de liderança e reafirmação de estereótipos – fatores que ainda reforçam a desigualdade de gêneros no mercado de trabalho.

Para tentar mudar esse cenário díspar, profissionais de recursos humanos e executivos de grandes empresas se reuniram e discutiram  uma série de ações em prol do empoderamento feminino e de um ambiente corporativo mais igualitário.

O evento serviu para ratificar um memorando assinado entre a ABRH-SP e a ONU Mulheres no final de 2015.

As duas instituições se comprometeram a “convidar o setor privado a dar passos decisivos até 2030 na direção de um planeta 50-50 com paridade de gênero”, explica Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil.

“A bandeira da representatividade feminina precisa ser fincada dentro das empresas”, acrescenta Theunis Marinho, presidente da ABRH-SP.

Diante de um auditório tomado por especialistas em recursos humanos, executivos e estudiosos apontaram alguns caminhos para que a meta seja alcançada.

 

#HEFORSHE

 

Engajar os homens na luta por mais representatividade feminina como um todo é peça fundamental, garantem os especialistas.

Por isso, o evento deu visibilidade ao movimento #HeForShe, criado pela ONU Mulheres, que convida os homens a se aliarem “pelo benefício de todos”.

Segundo Nadine, 96 empresas já selaram o compromisso de trabalhar em função deste projeto no Brasil e mais de 1.200, no mundo todo. “É muito pouco, mas a gente acredita que esse movimento vai tomar cada vez mais corpo e quem ficar de fora vai se dar mal”, diz.

Lígia Sica, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Direito e Gênero da FGV de São Paulo, corrobora a necessidade das ações afirmativas. “Estudos já comprovam que a presença feminina aumenta a chance de crescimento sustentável da empresa”, disse.

“A companhia performa melhor”, reitera Marianne Coutinho, sócia da KPMG e co-chair da WCD no Brasil.

O que cabe às companhias?

 

A subestimação da qualificação das mulheres é um dos fatores que têm atrasado o processo de mudança.

Para alcançar cargos de liderança, elas precisam se esforçar muito mais. E isso se reflete nos números. Das 500 maiores empresas em receita do mundo, menos de 5% possuem CEOs mulheres.

A base da “pirâmide corporativa” em alguns casos já conta com maioria feminina, mas é preciso que todas as esferas sejam bem-representadas, é necessário impulsionar a liderança.

Por isso, segundo ela, é preciso estabelecer metas que vão além das políticas de contratatação. “Elas precisam contemplar as de ascensão também”, diz.

Fora isso, a especialista ainda sugere aos executivos a adoção de políticas de engajamento e promoção que fujam dos rótulos e de pressupostos e que valorizem motivação e vocação.

Mais do que repensar a licença-maternidade, a professora acredita ainda que é preciso adotar a licença-paternidade estendida e apoiar a paternidade ativa com implementação de horários flexíveis para ambos os sexos.

Derrubar estereótipos de gênero também é fundamental para o avanço.

“É muito comum julgar fraca a mulher que chora e considerá-la histérica quando ela está sendo assertiva”, conta Tânia Consentino, presidente da Schneider Electric.

Ao final do evento, Theunis Marinho estabeleceu o atrevimento como meta para as mulheres:

“Se você não é chamada para uma festa, mas aquela festa também é para você, entre nela e diga: ‘aqui é meu lugar’.”

Segundo Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza e homenageada do dia, investir na mulher é fundamental para que o país se desenvolva economicamente.

E você? Tem alguma sugestão para que a igualdade de gêneros nas empresas seja uma realidade?

Fonte: ABRH-SP